David Le Breton, antropólogo francês, é considerado uma importante referência para aqueles que buscam uma discussão na área dos estudos do corpo. É autor de várias obras que ainda não foram traduzidas para a língua portuguesa. Esta obra, publicada na França em 1999, nos traz um panorama, no mínimo, inquietadora cerca do corpo. Na discussão desse corpo, o autor articula questões contemporâneas relacionadas à: significados construídos socialmente, arte/performance corporal, intervenções da biomedicina, produção farmacológica no cuidar de si, manufatura de crianças, clonagem dos corpos e sexualidade cibernética. O autor tece uma crítica sobre: biologização dos problemas sociais, eugenia corporal, ideologia da exclusão social baseada na genética, simbiose corpo/máquina e utopia da ultrapassagem da dimensão corporal. Em todo o texto, o corpo é vestido e desnudado para que se possa ter uma compreensão da sua perspectiva como corpo moderno. Nesse cenário, são focalizados os efeitos dos discursos científicos contemporâneos, em que construções e manipulações corporais diluem a identidade pessoal. O corpo como acessório vai se consolidando na modernidade à medida que a anatomia deixa de serum destino para dar espaço a uma matéria-prima a ser modelada, a ser redefinida, enfim a se submeterão design do momento. Sonhos de se agir sobre as fórmulas genéticas do sujeito para modelar tanto sua forma quanto o seu comportamento vão sendo acalentados pelos avanços científico-tecnológicos. Com esses desejos, uma administração corporal (para atender interesses e sentimentos estéticos); as marcas corporais (que são engolidas pelas ideologias); o body building (traduzido pelo fabricar a si mesmo); a transexualização corporal; o body art (expresso pelas performances) e o corpo parceiro (em que se instalam álter ego que emana sensação e sedução) passam a conviver. Paralelamente a isso, a produção farmacológica de si pode ser instaurada, medica lizando o humor cotidiano e dando suporte a tecnologias e técnicas que visam, sobretudo, alterar. São procedimentos que visam, dentre outras coisas, alterar o poderio do corpo sobre o mundo; aprimorar capacidades sensoriais; prolongar o esforço; modificar o estado de vigília e superar o cansaço e, em outros casos, conseguir adormecer. (Continua....)