terça-feira, 1 de novembro de 2011

IMAGEM CORPORAL E O CORPO ESTETICAMENTE PERFEITO, AS ACADEMIAS DE GINÁSTICAS E OS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA.

A imagem corporal é a maneira pela qual o corpo se apresenta para si mesmo. É como cada um percebe seu corpo e, muitas vezes, quando a pessoa está sob a influência de padrões externos a si mesma, a imagem refletida no espelho nunca está adequada ao seu ideal. No entanto, em uma sociedade globalizada as referências familiares e culturais podem perder valor frente aos padrões corporais que mudam constantemente. Nos dias atuais, o ideal da magreza, ou seja, total ausência de gorduras é o sonho de muitas mulheres que têm como referência às modelos milionários conhecidas por top model que vivem de dietas radicais. Também há aquelas que buscam as formas torneadas, fartas e para isso, malham nas academias, em casa, nas férias, em qualquer lugar. Os homens basicamente estão atrás de um tipo especifico de corpo, buscam a hipertrofia muscular, a redução do abdômen. Invariavelmente querem se manter cada dia mais jovens e belos, e que não é de se admirar que muitos homens para perder peso e ficarem mais musculosos permanecem horas nas academias de ginásticas com intuito de ficarem cada dia mais fortes e para isso dariam em troca anos de suas vidas para alcançarem esses objetivos.

A imagem corporal se constrói por referências internas e externas. Se a pessoa não constrói para si valores que vão além de uma estética corporal, passa a ser escrava do que vem do exterior. Nesse processo, as propagandas, os produtos de beleza e as novas cirurgias plásticas ocupam espaços que deveriam pertencer ao livre arbítrio de cada um.

Partindo dessa perspectiva, analisamos que muitos vêem o corpo como um produto, como um objeto a ser exibido e não vivido. Deixam de lado o corpo saudável, cuidado, respeitado e constroem patologias como anorexia nervosa, bulimia, vigorexia, entre outras.

Nessa desenfreada descoberta pelo corpo perfeito vêm ocorrendo exageros. Não há a espera pela modelagem do corpo dentro de suas possibilidades em limites. O ganho de massa muscular precisa ser elevado, os resultados devem ser imediatos. Muitos recorrem para o uso de meios invasivos como cirurgias plásticas e, às vezes, meios ilícitos, como uso de anabólicos esteróides.

O consumo de anabolizantes esteróides se tornou uma prática quase comum para alguns freqüentadores de academia de ginástica e também para o profissional de Educação Física, a autora diz que a procura pela juventude é uma guerra permanente onde a vitória contra o espelho se tornou uma batalha constante.

Com a mudança do padrão estético ocorrido nos últimos anos verificou-se tanto nas mulheres como no homem a utilização de alguns artifícios estéticos, como à volta da calça de cintura baixa, barriga de fora, malhada, sem gorduras, tatuagens, uso de camisas mais justas e curtas realçando o corpo musculoso, deixando a mostra bíceps e tríceps torneados durante horas nas academias de ginástica.

Podemos pensar que antes as pessoas utilizavam tatuagens como forma de rebeldia e demonstração de que pertencia algum grupo específico, atualmente o uso de piercings e das tatuagens que viraram febre nos últimos anos nos surgem como enfeites para valorizar essas partes do corpo.

Destacamos que com as mudanças dos padrões estéticos as exposições dos corpos pelos canais de propagandas tornaram-se uma obrigação, os corpos passaram a serem julgados pela sua forma física e quem não se enquadra nesse contexto são taxados como transgressores sendo considerado um desrespeito à falta de investimento da pessoa com seu corpo. Atualmente as academias de ginásticas dos grandes centros urbanos são lugares de maiores receptores da mídia e com isso sofrendo com o assedio ao culto ao corpo. A concorrência é intensa e cada academia promete resultados mais eficazes e mais rápidos. Os usuários, muitas vezes, vão descobrir as conseqüências dessa falta de lucidez quando aparecem sequelas e lesões. As academias, na contemporaneidade, podem ser consideradas locais privilegiados do culto à corpolatria. Espelhos, roupas de ginástica, músicas, são aparatos que conclamam para a vibração, para a vida intensa, para o corpo em movimento e exposto. Nesses espaços literalmente corpos malhados e aqueles que procuram esse status. Os profissionais de Educação Física, ao mesmo tempo em que estudam sobre o corpo, suas possibilidades e limites, também estão inseridos na sociedade e sob a influência da mídia e, portanto, precisam compreender o contexto para atuarem com responsabilidade e consciência. No entanto, em seus processos formativos, muitos desses profissionais ignoram os conteúdos sociais, humanizantes e reflexivos. Tornam-se técnicos em corpolatria embora estudem para serem identificados: “[...] como a força de trabalho qualificado e registrado no sistema CONFEF/CREFS, responsáveis pelo exercício profissional na área de Educação Física e que neste sentido, utiliza e investiga, respectivamente, com fins educativos e científicos, as possíveis formas de expressão de atividade física [...]”. (CONFEF, 2007, p. 2 ). Como orientar, com eficácia, as pessoas que os procuram. O corpo é escolhido como lugar de explorações e experiências e como a ultima possibilidade de um território de liberdade de transformação das pessoas.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

ADEUS AO CORPO - LE BRETON

David Le Breton, antropólogo francês, é considerado uma importante referência para aqueles que buscam uma discussão na área dos estudos do corpo. É autor de várias obras que ainda não foram traduzidas para a língua portuguesa. Esta obra, publicada na França em 1999, nos traz um panorama, no mínimo, inquietadora cerca do corpo. Na discussão desse corpo, o autor articula questões contemporâneas relacionadas à: significados construídos socialmente, arte/performance corporal, intervenções da biomedicina, produção farmacológica no cuidar de si, manufatura de crianças, clonagem dos corpos e sexualidade cibernética. O autor tece uma crítica sobre: biologização dos problemas sociais, eugenia corporal, ideologia da exclusão social baseada na genética, simbiose corpo/máquina e utopia da ultrapassagem da dimensão corporal. Em todo o texto, o corpo é vestido e desnudado para que se possa ter uma compreensão da sua perspectiva como corpo moderno. Nesse cenário, são focalizados os efeitos dos discursos científicos contemporâneos, em que construções e manipulações corporais diluem a identidade pessoal. O corpo como acessório vai se consolidando na modernidade à medida que a anatomia deixa de serum destino para dar espaço a uma matéria-prima a ser modelada, a ser redefinida, enfim a se submeterão design do momento. Sonhos de se agir sobre as fórmulas genéticas do sujeito para modelar tanto sua forma quanto o seu comportamento vão sendo acalentados pelos avanços científico-tecnológicos. Com esses desejos, uma administração corporal (para atender interesses e sentimentos estéticos); as marcas corporais (que são engolidas pelas ideologias); o body building (traduzido pelo fabricar a si mesmo); a transexualização corporal; o body art (expresso pelas performances) e o corpo parceiro (em que se instalam álter ego que emana sensação e sedução) passam a conviver. Paralelamente a isso, a produção farmacológica de si pode ser instaurada, medica lizando o humor cotidiano e dando suporte a tecnologias e técnicas que visam, sobretudo, alterar. São procedimentos que visam, dentre outras coisas, alterar o poderio do corpo sobre o mundo; aprimorar capacidades sensoriais; prolongar o esforço; modificar o estado de vigília e superar o cansaço e, em outros casos, conseguir adormecer. (Continua....)

terça-feira, 13 de setembro de 2011


– Os corpólatras e atividade física: Motivação, imitação ou uma obrigação.
       Um dos fatores importantes apontados para a prática da atividade física é a motivação, essa motivação é caracterizada como um processo ativo, intencional e dirigido a uma meta, o qual depende da interação de fatores pessoais (intrínsecos) e ambientais (extrínsecos). Baseado nesse conceito, a motivação é subdividida em dois segmentos denominados energéticos, que são: nível de ativação e direção de comportamento (intenções, interesses, motivos e metas). 
         Podemos afirma que atualmente cada indivíduo é considerado responsável (e culpado) pela sua juventude, beleza e saúde. Só é feio quem quer e só envelhece quem não se cuida. Verificamos também que com a exposição do físico não se exige apenas a beleza de seus adornos e vestimentas, mas também de sua aparência física com isso formando um conjunto de padrões estéticos veiculado pela mídia. Sendo a busca do corpo perfeito um fenômeno cultural, muitas pessoas buscam a autoafirmação na sociedade através da sua imagem corporal.
         Percebe-se também que as motivações condicionadas pela sociedade atual obrigam os indivíduos a realizarem atividades físicas,  a cultuarem seus corpos e a perseguirem os ideais de beleza estabelecidos. A corpolatria  se tornou uma fixação sendo observado em pessoas de diferentes camadas socioeconômicas, das diversas faixas etárias. É comum vermos nas academias de ginásticas jovens menores de idade, se iniciando cada vez mais cedo no culto ao corpo, em detrimento de um crescimento natural e saudável.
       Podemos analisar que as preocupações com a atividade física ganharam força no decorrer do século.  Na atualidade, presenciamos a tendência à supervalorização da aparência corporal, que leva os indivíduos a uma busca frenética por um corpo ideal. Relata também que a busca por hábitos saudáveis e um corpo sarado e bonito também motiva a prática de atividade física que  aparece ser assumida sem constrangimento.
        Nessa perspectiva, a adesão à atividade física passa a ser supervalorizado como caminho para a vida saudável, para a ampliação dos índices de qualidade de vida. No entanto, as observações efetivadas,  têm demonstrado que a atividade física não é boa ou ruim por si só. A adesão à atividade física torna-se um valor de prevenção e manutenção da saúde quando está associada a um estilo de vida saudável, com qualidade de sono; alimentação adequada; boas condições de trabalho, moradia e transporte; remuneração suficiente para suprir as necessidades pessoais e familiares; acesso ao lazer; entre outras.
        Verificamos que a simples adesão à prática de atividades físicas não assegura uma vida saudável, pelo contrário, se não forem respeitadas as características biológicas  e individuais, esta prática pode se tornar perniciosa e obsessiva.
         Observamos que a preocupação excessiva com o corpo belo e a crescente facilidade em se realizar uma intervenção cirúrgica nos faz rever que muitas pessoas além da motivação em realizar uma atividade física para o seu bem estar físico e mental estão preocupadas também com sua imagem corporal.  Observamos o mascaramento da motivação inicial, qual seja a busca pelo bem estar físicos e mentais, em  prol do culto ao corpo.
         A motivação e a imitação de se possuir um corpo  bonito e jovem  observa-se o discurso e as técnicas de libertação do corpo sobre os antigos vínculos de influências morais e principalmente religiosas. Com isso tentamos apresentar o corpo com característica cada vez mais individual e com obrigação de possuirmos corpos mais belos, jovens e libertos dos vínculos do passado.
        Com o avanço tecnológico e científico o corpo passou a ter o direito de não morrer e de possuir o domínio no processo de envelhecimento. Porém esse processo não pode ser totalmente superado, e considerando que esse mesmo processo não precisa ser devastador e que as vitórias dessas modificações não se limitam apenas à parte externa do corpo, mas também do seu interior com esperança de novas descobertas e conquistas da ciências. Porém em torno desse grande processo não podemos esquecer que a Educação Física é atividade essencial para a qualidade de vida. Integrando equipes multidisciplinares, o Profissional de Educação Física é chamado a atuar à frente de projetos que visam promover o desenvolvimento da educação e da saúde. A área de atuação profissional envolve o planejamento, execução e supervisão de atividades esportivas voltadas para a recreação e o lazer, relacionadas ao trabalho e à preparação física dos atletas e da população, bem como o desenvolvimento de atividades para portadores de necessidades especiais e o treinamento de alto rendimento em clínicas, spas e como personal trainer.




Atividade Física, Motivação e Corpolatria


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Troca de idéias

O sonho de qualquer praticante de esporte é conquistar um corpo definido sem grandes esforços, e perseguindo este objetivo, alguns caem na armadilha do consumo de suplementos alimentares sem haver necessidade, os suplementos alimentares complementam a necessidade nutricional de uma pessoa. As vitaminas e minerais também se encaixam nessa função".

Apesar de serem mais utilizados por atletas, estas substâncias ainda cumprem um importante papel. "Além de suprirem os gastos energéticos de um trabalho físico e o estresse da musculatura, os suplementos são usados também na área clínica e hospitalar".

Garotões: cuidado com o excesso de vaidade
Impulsionadas pelos rígidos e equivocados padrões de beleza, duas doenças caracterizadas pela distorção da auto-imagem têm deixado os homens cada vez mais magros ou extremamente musculosos, saiba mais sobre a ANOREXIA e a VIGOREXIA.

A excessiva valorização da estética pela sociedade moderna tem feito suas vítimas também entre os homens. Mais vaidosos do que nunca, eles têm protagonizado obsessões pelo corpo perfeito, que levam à distorção da auto-imagem, desencadeando patologias que à primeira vista são radicalmente opostas, mas quando melhor analisadas revelam ser, realmente, muito parecidas: a anorexia e a vigorexia.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Breve concepção de corpo ao longo da história da humanidade.

2.1 -  Breve concepção de corpo ao longo da história da humanidade.
           No decorrer da história da humanidade o corpo sempre foi objeto de observações, experiências e estudos. Desde os primeiros registros de vida humana há indicativos da importância do corpo e de suas possibilidades de expressão. No entanto, o corpo foi visto por muito tempo como meio de sobrevivência e execução de tarefas. Para podermos entender melhor as concepções de corpo na atualidade é necessária uma contextualização histórica para  verificar-mos as características e as peculiaridades incorporadas até os dias atuais.  
           Na antiguidade o corpo humano era preparado para a sobrevivência, voltado para a caça e a pesca. Na Grécia antiga, aparecem imagens de corpos fortes para o combate, para a proteção ao Estado em diálogo com a beleza e a harmonia de movimentos rítmicos. Acontecem nesse período a origem dos jogos Olímpicos Antigos e o início dos estudos sobre a Educação Física. Havia uma preocupação com o corpo saudável, forte e perfeito. As práticas esportivas eram tidas como elementos mobilizadores da sociedade e instrumentos a serviço das classes que mantinham o poder. Nessa época já existia a diferenciação entre o corpo das castas mais altas e o corpo dos trabalhadores.
          Na Idade Média, com o crescimento do cristianismo, a Igreja deteve o monopólio do conhecimento. Em uma sociedade fortemente ritualizada, observamos nesse período que o corpo era reprimido, humilhado e desprezado e ao mesmo tempo glorificado. A concepção de corpo “cristão medieval” era de parte a parte atravessado por essa dialética entre a repressão e a exaltação, a humilhação e a veneração. Durante esse período, a humanidade repousava sobre a concepção cristã do pecado original; onde a preocupação com o corpo era proibido e o corpo feminino era visto como inferior ao masculino.
         No Renascimento, período importante para a renovação de conceitos, muitas idéias e atitudes que antecipavam o mundo moderno foram apresentados, dentre elas a principal foi o humanismo que resgatou o papel e a importância do ser humano em oposição ao poder e a dominância da Igreja. Se na Idade Média o corpo era associado ao pecado, no Renascimento o corpo, principal referência do ser humano, passa então a ser vivido na sociedade de mercado na condição de valor (trabalho), o corpo nesse período passa ter o papel de destaque.
          Com a evolução tecnológica e industrial do século XX, verificou-se que, com os ritmos acelerados dessas evoluções ocorreram mudanças maciças onde o corpo passa a ser venerado. Com o surgimento e o crescimento da mídia televisiva e principalmente com a cultura “Holliwodiana”, vimos o aparecimento de mulheres e homens belos e a retomada da sensualidade através dos corpos. O cinema foi, sem dúvida, um canal crucial na formulação de um novo ideal físico tendo a imagem cinematográfica interferido significativamente nessa construção.
          Na década de 60, com a difusão da pílula anticoncepcional, da revolução sexual e do movimento feminista, associado ao movimento hippie, o corpo passou a ser instrumento de combate e resistência à ideologia dominante dos corpos perfeitos, saudáveis, cuidados e belos. O corpo passou a ser expressão da subjetividade e prazer, contestando os cuidados com higiene, saúde, prevenções. Nesse período, valeu o prazer, a curtição, a irreverência, que teve uma forte conotação política de contestação aos valores tradicionais como a família e a propriedade. 
              Em plena Guerra Fria (EUA x URSS), vimos o crescimento de uma sociedade considerada modelo, representada pelos EUA. São criados personagens com prestígios e superpoderes, heróis  que passam a povoar a mídia televisiva e o imaginário coletivo na busca por corpos perfeito. As mulheres heroínas apresentavam um corpo curvilíneo, com seios, ancas e glúteos arredondados e fartos. Os personagens masculinos, homens comuns, transformam-se em superpoderosos, com músculos hipertrofiados, fortes e bem definidos.
              Essas correntes antagônicas enfrentaram-se e a mídia, expandida e mantida pelo poder econômico, pago pelas propagandas, padroniza a veiculação de tendências conservadoras em detrimento das tendências revolucionárias.
              No Brasil, a televisão chega em 1950 e, inicialmente, a programação é voltada para as famílias, com programas que, comparados com os atuais, eram inocentes, quase ingênuos. No entanto, as influências norte-americanas não tardam a chegar, alterando drasticamente o conteúdo das programações. No início da década de 80, com o crescimento da indústria da moda e dos cosméticos, a sociedade se caracterizou pelo bombardeio da mídia principalmente a televisiva, acelerando mudanças na sociedade em relação ao corpo, introduzindo novas configurações pessoais e culturais, produzindo nos indivíduos ideais padronizados de corpo que geraram insatisfações para quem não se enquadrava nos modelos difundidos. Temos o surgimento das “super modelos” e os “super homens“ , verificou-se na programação televisiva  um grande assedio de filmes, brinquedos e desenhos com imagem de corpos musculosos, bonitos e belos, filmes como: Grande Dragão Branco, Rambo, Exterminador do Futuro e Conan o Bárbaro, brinquedos: Barbie, Falcon, Gold Ranger, Iron Man, Batman, Wolverine e Homem Aranha e desenhos: Capitão América, He Man, She Ra e Super Amigos.
              O processo de globalização estava sendo implantado e as referências locais, familiares e culturais perdem valor para a grande mídia. Dessa forma, os canais genéticos, as estruturas corporais, os biotipos, a singularidade, as subjetividades passam a ser desrespeitados em busca de padronizações. Não há mais espaço para o processo de envelhecimento natural, a juventude é buscada como valor maior. O mais grave é que, nesse processo desenfreado muitas pessoas se descaracterizam totalmente, tornado-se outro ser que, a cada intervenção plástica, perde um pouco da sua identidade, da sua originalidade. Não raro, passados alguns anos dessa adesão desenfreada a corpolatria, surgem quadros depressivos, bulimias e outros distúrbios emocionais característicos da sociedade moderna.
            Atualmente, na mídia televisiva, salvo alguns poucos canais e programas, o que é oferecido ao público é calcado no erotismo, na ausência de valores éticos, na péssima qualidade, nas receitas milagrosas para manter-se em forma e jovem. Para compensar, são veiculados alguns programas de esclarecimentos, de alerta sobre a corpolatria e suas conseqüências funestas. Mas, essas iniciativas são incipientes porque, nos intervalos dessas programações esclarecedores, as propagandas continuam provocando para o consumo e para a busca desenfreada da estética. E, proporcionalmente, os conteúdos esclarecedores são significativamente menores do que os demais.              
           Verifcamos nesse processo, o corpo se tornou uma verdadeira prisão do próprio corpo da pessoa onde se apresenta sem características próprias, um corpo alienado. O Brasil, nos últimos anos, passou a ser o maior mercado de cirurgias plásticas no mundo, superando até os Estados Unidos da América com cirurgias para fins estéticos. O culto ao corpo se tornou uma preocupação constante que atinge as mais diferentes classes sociais, faixas etárias, sexo e setores da sociedade.
            A mídia em geral tem uma grande parcela de responsabilidade nessa distorção dos conceitos de corpo belo e corpo não belo. Mas a forma como ficamos expostos a ela também precisa ser pensada e alterada. É preciso pensar e aguçar a crítica frente aos conteúdos veiculados.
           Alertamos que cuidar do corpo e querer um corpo belo é muito bom, mas os limites que se tem ultrapassado para a conquista deste corpo é que devem ser avaliados e discutidos. A preocupação do corpo belo se faz presente no surgimento da corpolatria  que é o exagero em busca do corpo perfeito e belo, apresentado e veiculado pela mídia. Com isso algumas pessoas associam a necessidade de realizar atividade física como se fosse uma atividade obrigatória onde, se faltarem ou deixarem de praticá-la, sofrem com a sensação de vazio, sofrimento e até mesmo o sentimento de pecado, relacionando-se com a academia de ginástica como fosse uma religião como se estivesse incorporada à sua vida. Neste sentido a academia de ginástica pode ser uma extensão de nosso lar, e a prática desta “religião”, deste “culto ao corpo” coloca a pessoa entre dilemas profundos onde a razão passou a ser o inferno e o culto ao corpo o céu, apresentando  um universo mágico, com  milagres do “corpo liberto” de preconceitos, com sacrifícios físicos, além dos limites nestes   templos envoltos por  espelhos e dogmas. 

          No decorrer da história humana constata-se que as imperfeições encontradas no corpo, decorridas com o passar do tempo como problemas na pele, dentes, cabelos e outros, eram tratados pelo médico. Atualmente, com o aumento de programas de auto-ajuda e revistas de beleza, verificamos a inversão desses valores, onde as pessoas procuram amenizar suas imperfeições através de “receitas milagrosas”  da beleza do corpo alcançado pela pessoa da capa da revista.
             Por este motivo é preciso cuidar, é preciso respeitar o corpo desses indivíduos, buscando tipos e forma de treinamentos de acordo com as características biológicas e capacidades físicas. Essa ação é uma das responsabilidades do profissional de Educação Física que precisa atuar de forma intencional para contribuir no desenvolvimento e na formação dos freqüentadores de academias de ginástica, menos vulneráveis a corpolatria.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Corpolatria - Um dilema para os Profissionais de Educação Física

           Atualmente com a concorrência e a exigência pela reserva de mercado de trabalho, com a influência da mídia, da indústria da moda e da beleza foi verificado que muitos profissionais de Educação Física afirmaram que para atuarem em academias de ginástica salvo algumas exceções, se resume apenas em um corpo jovem, belo e “sarado”, deixando de lado suas responsabilidades, valorizando o culto ao corpo – a corpolatria, a imagem corporal e a cultura de consumo.
       Verificamos que as academias de ginásticas são obrigadas a se adaptarem às novas exigências do mercado, apresentando-se cada vez mais sofisticadas. Além do espaço destinado à prática do exercício físico, lojas, lanchonetes e clínicas estéticas, constituem-se como centros de culto a beleza e, por esse motivo, são caracterizadas por serem locais frequentados por pessoas que, além de procurem a qualidade de vida, é receptora da cultura exagerada da idolatria do corpo e o consumo.
       Com relação aos Profissionais de Educação Física, verificamos a criação de um padrão estético e de estilo como uso de vestimenta próprias, gestos e atitudes padronizadas, para serem identificados como professores de academias de ginásticas.  Contra isso alertamos que devemos realizar a construção de uma imagem corporal bem desenvolvida e consciente na transformação de um corpo objeto em um corpo próprio com característica pessoal, social e afetivo através de uma vida normal sem paranóia, alienação, doenças e complexo.
        Evidenciamos que os profissionais de Educação Física que trabalham em academias de ginástica desconhecem o significado da expressão corpolatria, visto que muitas Universidades atualmente não debatem esse tema em sala de aula e com isso excluindo um tema interessante e importante para a formação do Profissional de Educação Física. De quem é a culpa? Será dos docentes, da instituição de ensino ou da vitória da corpolatria nas suas diversas formas de expressão? Basicamente, todos os profissionais entrevistados afirmaram que durante sua formação acadêmica são assediados por informações de possuírem um corpo belo e jovem.
        Os profissionais de Educação Física que trabalham nas academias de ginásticas devem possuir o conhecimento sobre os perigos do culto ao corpo, e consciência que ter um corpo belo e “sarado” não significa sinonimo de caráter, conhecimento ou competência. Infligir as diferenças dos outros com discursos discriminatórios acarretando sofrimento, vergonha, desconforto e até mesmo doenças atribuídas por concepções veiculadas pela mídia com a obsessão da busca insana do corpo belo é algo extremamente perigoso.
      Na verdade  os profissionais de Educação Física devem procurar o saber, cuidar de si e dos outros e só assim poderão conviver, tolerar e instruir indivíduos dotados de consciência, autodeterminação e desejos. O profissional de Educação Física que tem como finalidade de combater a corpolatria, deve ter consciência e senso crítico sobre os verdadeiros valores do corpo belo, orientando os indivíduos a realizarem uma busca de uma estética consciente, coerente e dentro das suas limitações, físicas e biológicas. Repensar com urgência sobre seu papel quanto aos problemas acarretados pelo culto ao corpo, sobre o excesso de cuidados que envolvem tanto os homens como as mulheres atualmente, pelo uso indiscriminado de esteróides anabólicos e principalmente com a própria conscientização do seu papel dentro da sociedade.
         A formação do profissional de educação Física começa com sua graduação, onde se inicia um novo processo de descobertas, saberes, qualificação e aperfeiçoamento constantes. Ter consciência de seu papel na sociedade e sua responsabilidade na condução e orientação daqueles que buscam a perfeição física a qualquer custo, eis o verdadeiro desafio dos Profissionais de Educação Física.