terça-feira, 1 de novembro de 2011

IMAGEM CORPORAL E O CORPO ESTETICAMENTE PERFEITO, AS ACADEMIAS DE GINÁSTICAS E OS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA.

A imagem corporal é a maneira pela qual o corpo se apresenta para si mesmo. É como cada um percebe seu corpo e, muitas vezes, quando a pessoa está sob a influência de padrões externos a si mesma, a imagem refletida no espelho nunca está adequada ao seu ideal. No entanto, em uma sociedade globalizada as referências familiares e culturais podem perder valor frente aos padrões corporais que mudam constantemente. Nos dias atuais, o ideal da magreza, ou seja, total ausência de gorduras é o sonho de muitas mulheres que têm como referência às modelos milionários conhecidas por top model que vivem de dietas radicais. Também há aquelas que buscam as formas torneadas, fartas e para isso, malham nas academias, em casa, nas férias, em qualquer lugar. Os homens basicamente estão atrás de um tipo especifico de corpo, buscam a hipertrofia muscular, a redução do abdômen. Invariavelmente querem se manter cada dia mais jovens e belos, e que não é de se admirar que muitos homens para perder peso e ficarem mais musculosos permanecem horas nas academias de ginásticas com intuito de ficarem cada dia mais fortes e para isso dariam em troca anos de suas vidas para alcançarem esses objetivos.

A imagem corporal se constrói por referências internas e externas. Se a pessoa não constrói para si valores que vão além de uma estética corporal, passa a ser escrava do que vem do exterior. Nesse processo, as propagandas, os produtos de beleza e as novas cirurgias plásticas ocupam espaços que deveriam pertencer ao livre arbítrio de cada um.

Partindo dessa perspectiva, analisamos que muitos vêem o corpo como um produto, como um objeto a ser exibido e não vivido. Deixam de lado o corpo saudável, cuidado, respeitado e constroem patologias como anorexia nervosa, bulimia, vigorexia, entre outras.

Nessa desenfreada descoberta pelo corpo perfeito vêm ocorrendo exageros. Não há a espera pela modelagem do corpo dentro de suas possibilidades em limites. O ganho de massa muscular precisa ser elevado, os resultados devem ser imediatos. Muitos recorrem para o uso de meios invasivos como cirurgias plásticas e, às vezes, meios ilícitos, como uso de anabólicos esteróides.

O consumo de anabolizantes esteróides se tornou uma prática quase comum para alguns freqüentadores de academia de ginástica e também para o profissional de Educação Física, a autora diz que a procura pela juventude é uma guerra permanente onde a vitória contra o espelho se tornou uma batalha constante.

Com a mudança do padrão estético ocorrido nos últimos anos verificou-se tanto nas mulheres como no homem a utilização de alguns artifícios estéticos, como à volta da calça de cintura baixa, barriga de fora, malhada, sem gorduras, tatuagens, uso de camisas mais justas e curtas realçando o corpo musculoso, deixando a mostra bíceps e tríceps torneados durante horas nas academias de ginástica.

Podemos pensar que antes as pessoas utilizavam tatuagens como forma de rebeldia e demonstração de que pertencia algum grupo específico, atualmente o uso de piercings e das tatuagens que viraram febre nos últimos anos nos surgem como enfeites para valorizar essas partes do corpo.

Destacamos que com as mudanças dos padrões estéticos as exposições dos corpos pelos canais de propagandas tornaram-se uma obrigação, os corpos passaram a serem julgados pela sua forma física e quem não se enquadra nesse contexto são taxados como transgressores sendo considerado um desrespeito à falta de investimento da pessoa com seu corpo. Atualmente as academias de ginásticas dos grandes centros urbanos são lugares de maiores receptores da mídia e com isso sofrendo com o assedio ao culto ao corpo. A concorrência é intensa e cada academia promete resultados mais eficazes e mais rápidos. Os usuários, muitas vezes, vão descobrir as conseqüências dessa falta de lucidez quando aparecem sequelas e lesões. As academias, na contemporaneidade, podem ser consideradas locais privilegiados do culto à corpolatria. Espelhos, roupas de ginástica, músicas, são aparatos que conclamam para a vibração, para a vida intensa, para o corpo em movimento e exposto. Nesses espaços literalmente corpos malhados e aqueles que procuram esse status. Os profissionais de Educação Física, ao mesmo tempo em que estudam sobre o corpo, suas possibilidades e limites, também estão inseridos na sociedade e sob a influência da mídia e, portanto, precisam compreender o contexto para atuarem com responsabilidade e consciência. No entanto, em seus processos formativos, muitos desses profissionais ignoram os conteúdos sociais, humanizantes e reflexivos. Tornam-se técnicos em corpolatria embora estudem para serem identificados: “[...] como a força de trabalho qualificado e registrado no sistema CONFEF/CREFS, responsáveis pelo exercício profissional na área de Educação Física e que neste sentido, utiliza e investiga, respectivamente, com fins educativos e científicos, as possíveis formas de expressão de atividade física [...]”. (CONFEF, 2007, p. 2 ). Como orientar, com eficácia, as pessoas que os procuram. O corpo é escolhido como lugar de explorações e experiências e como a ultima possibilidade de um território de liberdade de transformação das pessoas.