ADEUS AO CORPO
Consideramos que o corpo atualmente apresenta-se liberto de todas as ideologias religiosas do passado, algo que possa ser substituído, sem apresentar necessariamente motivos terapeuticos e sim motivos pessoais. Diz que o isolamento do homem se caracterizou como um momento individual e da ruptura concreta do homem com seu corpo. Nesse processo cada parte do seu corpo pode ser substituído, com imaginário de se conseguir o retardamento do envelhecimento e da ameaça da morte do corpo. Relata que atualmente os homens utilizam muito pouco seus corpos, e associam as academias de ginástica como único lugar de se gastar energia e como recurso para a manutenção da saúde.
Expressa que a sociedade atual coloca o corpo belo como um espelho, um emblema de si, se tornando uma estrutura simbólica. Apresentando uma moldura de beleza, riqueza e inteligência que devem ser seguidos e aprimorado a cada dia, transformando o corpo em algo acessório, com manipulações e transformações.
“[...] o homem contemporâneo é obrigado a construir o corpo, conservar a forma, modelar sua aparência, ocultar o envelhecimento ou a fragilidade, manter sua “saúde potencial”. O corpo é hoje um motivo de apresentação de si [...]”. (LE BRETON, 2003, p. 30)
Remete-se que o corpo é o lugar de diferentes formas de sociabilidade e espelha, assim, a vida social de uma sociedade. O corpo está presente e produz continuamente a ideia de estar inserido dentro de um espaço social. Relata que na sociedade atual o corpo transforma-se em uma construção social, onde o homem constroí o seu “próprio” corpo a partir desse imaginário social, onde o corpo passa ser o centro do nosso cotidiano, apresentando imagens a serem reproduzidas e copiadas.
“ Em uma cultura, com cada vez mais telas e menos páginas, as imagens passam a constituir, por si só, a realidade, em vez de retratá-la, reproduzi-lá e representá-la. A imagem toma o lugar do sujeito, e, sem perspectiva de si mesmo, não há identidade possível, ele torna-se estrangeiro em seu próprio corpo, alienado em si mesmo, pois existe somente como imagem.” (NOVAES, 2006, p. 59).
Afirma, que a libertação do corpo é expressado como um mito, é a retomada histórica da relação do homem com seu corpo, não há mais lugar para o estranho, para a negação, para a doença, e finalmente para a morte.
Expressamos, que todas as tentativas do homem de escapar aos seus limites corporais nasceram de sua consciência da morte, e que o nosso século pode vir a ser conhecido futuramente, entre outras coisa, como o século da descoberta do corpo. Relata que atualmente pratica-se qualquer tipo de atividade física, seja com fins competitivos ou para o simples divertimento, as pessoas tentam ocupar seu tempo livre com alguma atividade corporais. Esse tempo livre para atividade física também é preenchido com atividades voltadas para a fins estéticos. Relata que atualmente é preciso posssuir uma boa forma física para a valorização da saúde, onde o corpo da moda ou seja um corpo musculoso, definido e bonito é considerado sinônimo de riquesa, gerando lucro, investimento e um ótimo negócio:
“[...] Hoje as pessoas não procuram ficar mais bonitas (de acordo com o modelo de beleza vigente) simplesmente comprando a roupa da moda. Vão a uma academia para se tornarem mais musculosos. Se preciso for, tomam drogas que aceleram o aumento da massa muscular. (FREIRE, 1991, p. 58)
Em uma sociedade onde a necessidade de consumo se apresenta como uma ideologia, e as transformações sociais acontecem rapidamente, são observada a perigosa ligação do culto ao corpo com o ideal capitalista. Segundo Adorno e Horkheimer (1985), os valores humanos estão sendo deixados de lado em troca do interesse econômico. Diz que passou a reger a sociedade foi a lei do consumo. Nessa corrida pelo ter, nasceu o individualismo, que, conforme os autores, é o fruto de toda essa Indústria Cultural.
Adorno e Horkheimer (1985, p. 144) expressam que “[...]A Indústria Cultural impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente[...]”
Noutros termos o conceito de indústria cultural tem a ver com a expansão do mercado consumidor . Essa complexa revolução no início do século XX, foram apresentadas a sociedade grandes mudanças, sociais, políticas, econômicas, tecnológicas, científicas e culturais.
Expresam que a industria cultural traz em sua ideologia todos os elementos característicos do sistema capitalismo. Onde a mídia passou a exercer um papel importante na sociedade, formando opiniões, que nesse sentido todos os valores morais passaram a serem redigidos por ela. Nesse campo de interesse o corpo passou a exercer um papel desisivo, onde o indivíduo não precisa se dar ao trabalho em pensar, é só escolher que tipo de corpo se pretende imitar. Sendo assim relatado:
“ (...) A industria cultural acaba por colocar a imitação como algo de absoluto. A barbárie estética consuma hoje a ameaça que sempre pairou sobre as criações do espírito desde que foram reunidas e neutralizadas a título de cultura”. (ADORNO & HORKHEIMER, 1985, p. 122/123).
Adorno e Horkheimer (1985), diz que na Indústria Cultural, tudo se torna negócio, o poder da industria cultural toma posse de bens considerados culturais, vinculando à estrutura de mercado dos produtos culturais com a perda de seu enfoque emancipatório e se transformando em um mecanismo de manipulação da sociedade. Relatam ainda que o homem é tão bem manipulado e ideologizado que até mesmo o seu lazer se tornou uma extensão do trabalho.
Analisamos que com a crescimento da cultura de consumo, os ideais de corpos belos passaram a serem veiculados pela mídia introduzindo novas conceitos de padrões de beleza vigente, com intuito de influenciar a sociedade proporcionando e oferecendo imagens de corpos magérrimos, sarados e belos.
[…] Os manuais de auto-ajuda, a mídia e os conselhos dos experts em saúde levam os indívíduos a acreditarem em que as imperfeições e defeitos corporais são resultado da negligência e ausência de cuidado de si. Com disciplina e boa vontade, qualquer um poderia alcançar uma aparência mais próxima de beleza vigente. Aquelas que não o alcançam é reservado a estigmatização, o desprezo e a falta de oportunidades […]. (CASTRO, 2007, p. 76)
Acrescenta que atualmente as representações do corpo ganharam novos discursos onde os homens devem apresentar corpos musculosos para serem identificados como indivíduos com status e com certa virilidade. O ideal de beleza masculino inclui também cabelos fartos, para desespero dos calvos, que fazem de tudo para conservar o que resta de suas cabeleiras. As mulheres são muito mais cobradas do que os homens com relação à beleza. São comparadas e cobradas com as “deusas” do cinema e da televisão, com corpos malhados em academias, por dietas rigorosas, cuidados com o cabelo e pele.
Diz que a aparência do corpo é sempre comparada com o que a sociedade vê como perfeita. Isso quer dizer que existem padrões estéticos que devem ser seguidos. Observa-se a preocupação de se querer alcançar metas impossíveis, no dia a dia acabamos descobrindo maneiras de valorizar essas diferenças. Os padrões de beleza, os cuidados, as explorações e as transformações com o corpo variam culturalmente, no tempo e espaço. Se algumas décadas fazem grande diferença, alguns séculos podem alterar profundamente a relação das pessoas com seus corpos.
Expressamos que atualmente o corpo é escolhido como lugar de explorações e experiências e como a última possibilidade de território de liberdade e de transformação das pessoas:
“Numa cultura que reconhece as pessoas à partir daquilo que elas possuem e daquilo que elas conseguem cessar, ter um corpo e suas “senhas” de acesso, representa uma riqueza invejável. Por isso, é preciso ostentar isto que se tem, frisar a posse, para si e para os outros. É preciso acreditar que o corpo que “se tem” é de fato totalmente possuído, por seu proprietário, completamente disponível diante de suas vontades e sonhos. Uma das melhores provas de que “se tem totalmente o corpo que se “é” talvez seja exibir uma aparência que coincide completamente com o que se deseja a cada momento. Nesse caso, qualquer distância entre o que se quer do corpo e o que ele é torna-se um grande problema uma fonte de descontrole e de sofrimento.” (SOARES, 2004, p.19)
Observamos que as ideologias da cultura de massa se transforma de forma muito rápida, como também a idealização do corpo, a busca do corpo padronizado e idealizado pela sociedade, que julga ser perfeito pode levar as pessoas a alterar a sua aparência de forma definitiva com realizações de cirurgias plásticas cada vez mais comuns. Os indivíduos procuram modificar, de uma vez por toda, alguma parte do corpo ou retardar os efeitos do envelhecimento. Ao que tudo indica, a tendência da sociedade atual é adotar os padrões de beleza e de comportamento internacionais, visto que com a globalização alguns elementos como a busca do corpo perfeito, a juventude eterna e a sensualidade a qualquer custo, são incorporados na sociedade como elemento primordial e considerado extremamente importante para a cultura de massa.
Parabéns pelo texto e pela denúncia que traz. Vejo que essa "construção" do corpo nada mais é que uma tentativa de reconstrução mal feita, pois a nossa estrutura celular funcional original é perfeita e não necessita de reconstrução.
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